Nas entrelinhas da vida, vou descobrindo a essência… A minha, a tua, a nossa… Vou juntando as peças do meu puzzle, do teu, do nosso.

Caminho, olho em redor, continuo a caminhar e às vezes, nem sei onde poderei parar ou se poderei. Haverá algum lugar seguro além do meu próprio abraço?

Confuso o meu discurso?

Confuso o mundo onde habitamos… Valores trocados, prioridades desleais e palavras bonitas desprovidas de sentimento.

Na azáfama da competição para ter, fica-nos o ser pelo caminho e nesse caminho perde-se a vida. Perde-se a essência. Aquela que observo e procuro diariamente a cada troca de olhar, de palavras, de expressão…

Misturam-se os papeis e as personalidades! Ao ponto de ires dormir sem saborear o dia que passou, sem questionares se foste tu ou uma personagem que te assolou.

Olho.

Diariamente vejo vidas espelhadas nos ecrãs.

Vejo vidas coloridas repletas de sorrisos.

Roupas bonitas. Momentos deliciosos e refeições apetitosas.

É espelhado no nosso olhar a felicidade dos outros.

Todos mostram o melhor de si! O melhor dos seus dias. O que lhes dá orgulho mostrar. O que desejam que seja visto.

É a competição do “eu” sou melhor!

Caminho.

Encontro vários olhares. Olhares presos no chão. Olhares sem brilho. Olhares tristes…

Encontro roupas velhas.

Encontro sorrisos esquecidos. Rostos petrificados.

Nas carteiras os trocos pagam as refeições desse dia e às vezes da semana.

Caminho mais um pouco.

Vislumbro ao longe uma roupa bonita. Um sorriso rasgado. Um brilho no olhar.

Continuo…

Mais olhares no chão…

Perante tanta felicidade espelhada nas redes sociais, como se justifica tanta tristeza nos passeios da vida?

Como se justifica que os 100% bonitinhos não sejam reais perante esta realidade pós-ecrã?

Estamos na era do “eu sou o melhor”, na era da perfeição.

Então porque motivo esta perfeição me parece tão imperfeita?

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